sábado, 1 de dezembro de 2012

“Concepções de Escola, Ensino e Aprendizagem”.

 
 “Concepções de Escola, Ensino e Aprendizagem”.
Objetivamos nesta atividade discorrer acerca de alguns elementos que contribuem, de forma significativa, para a escola, o ensino e para a aprendizagem, à luz das perspectivas do doutor em Filosofia e História de Educação José Carlos Libâneo, em seu livro Pedagogia e Pedagogos, Para quê?


Em suas considerações, o historiador Libâneo mostra o descompasso entre o Brasil e outros países mais desenvolvidos, em relação a economia e a cultura de suas sociedades. Considerado a globalização, que forçou o Brasil a ser inserido na economia mundial, as disparidades sociais se agravaram, atingindo, em cheio o sistema educacional. Mas é necessário enfrentar os desafios da injustiça social, principalmente na questão da oferta de um sistema educação público, de qualidade. O Pais não pode crescer sem reformular e qualificar a escolarização básica.
Urge as reformas nesse sentido! .
1. A Escola
Para Libâneo a Escola é o sistema responsável pela formação do individuo, que sob a orientação do professor, aprende e apreende a produzir seus próprios conhecimentos, saberes e valores. Para ele a escola é o instrumento vital para o desenvolvimento da infância possibilitando à criança a produção da capacidade criativa baseada na razão critica e autônoma.
Isto é, indivíduos capazes de serem interlocutores competentes de expressar suas idéias, desejos e vontades, de forma clara, incluído a perspectiva do outro (nível de informações, intenções) e a capacidade de dialogar. A escola deve receber a infância para assim fazê-la crescer torna-se cidadão suscitando o seu desenvolvimento.
Segundo Mazzota (2002), “alunos e escolas são assim identificados por seus papéis sociais e não, propriamente, por sua configuração individual separada ou isolada de uma contextualização social e cultural. Enquanto papéis sociais e atores culturais, em suas relações recíprocas surgem necessidades e respostas condicionadas pelo contorno dinâmico e atuante de seu meio ambiente. Esta faceta, que parece óbvia, tem sido reiteradamente ignorada nas discussões e encaminhamentos desse tema, particularmente no que se refere a educandos portadores de deficiências e que apresentem necessidades especiais. Alunos e escolas são adjetivados de comuns ou especiais e em referência a uns e outras são definidas necessidades comuns ou especiais a partir de critérios arbitrariamente construídos por abstração, atendendo, muitas vezes, a deleites pessoais de “experts” ou até mesmo de espertos. Alertemo-nos, também, para os grandes equívocos que cometemos quando generalizamos nosso entendimento sobre uma situação particular”.(MAZZOTTA, 2002, p.3)1
A escola precisa de especialista, para que assim possa desempenhar melhor o seu papel (transmitir conhecimento, formar e promover exercício de cidadania) na preparação social e na formação ética, sendo assim a escola se torna o campo de ação pedagógica e o campo de atividades educativas e extra - escolar.
No campo da ação pedagógica escolar distinguem - se três tipos de atividades: 1. a de professores do ensino públicos e privados.; 2 - a de especialista das ações educativas escolar e 3 - Especialistas em atividades pedagógicas.
È grande a necessidade de um especialista na área escolar, devido a o grande crescimento de escolas públicas e privadas, sendo assim os problemas os modos de atuação são necessariamente da mesma natureza, ainda sim que todos da mesma modalidade pedagógica. Assim a atuação do pedagogo escolar é importante para o aprimoramento e desempenho em sala de aula podendo assim desenvolver (conteúdos, métodos, técnicas e formas de organização de classe).
Desta forma, as habilitações (administração escolar, supervisão escolar, orientação educacional, inspeção escolar) implantadas no Curso de Pedagogia vieram preencher funções ideológicas e técnicas justificadas pela “melhor formação”deste profissional para o mercado de trabalho (escola), bem como pela conseqüente melhoria da qualidade de ensino (Sá, 1997:13).
O fato e que a escola precisa de profissionais capazes de exercer sua função essa é uma das exigências dos sistemas de ensino tendo em vista assim poder melhorar a qualidade de ensino na escola.
Alguns educadores hoje se encontram divididos diante da realidade nacional e mundial, pois para os educadores, não é simples dizer o que caracteriza a pedagogia escolar crítico social. Essas considerações do tópico anterior estabelecem questões importantes para a educação escolar.
A escola precisa reciclar–se para assumir seu papel no contexto como agente de mudanças, geradora de conhecimento, e formadora de sujeito.
Segundo Paro, O sistema público de ensino federal e municipal mostra um descaso com as questões escolar. Também há degradação das atividades profissionais do educador escolar.
Os educadores saberão confrontar as críticas pós modernas para viabilizar a produção de um ensino de qualidade, mostrando para o educando que o professor tem domínio do conteúdo ministrado em sala de aula, passando assim a ser valorizado pela a transmissão de conhecimento. A escola do futuro e quando o professor tem um domínio de uma escola voltada para o pleno desenvolvimento do educando valoriza a transmissão de conhecimento, mas também enfatiza outros aspectos: as formas de convivência entre as pessoas, o respeito às diferenças, a cultura escolar. (Progestão 2001, p.45). Contudo, assim é possível ao pedagogo acreditar que a escola é o lugar de desenvolvimento, saberes, ensino, e de diferentes culturas.
A escola tem a função de ensinar e transmitir conhecimentos, mais a escola e parte essencial na formação dos cidadãos, e o local onde devemos valorizar, pois e neste local que devemos expressar nossas idéias, tirar nossas dúvidas, e acima de tudo buscar conhecimento, mais para que tudo isso aconteça é preciso que o pedagogo esteja preparado e tenham conhecimento em seu conteúdo ministrado em sala de aula, assim a escola assume o seu papel de ajudar no desenvolvimento intelectual da criança fazendo assim com que ela se desenvolva para a sociedade. Por isso a escola deve continuar investindo no aluno para que assim ele possa ter uma formação justa e social.
2. O Ensino:
Ver a escola como “espaço de síntese” é considerá-la como lugar onde os alunos aprendem a razão crítica de como atribuir significados às mensagens e informações recebidas das mídias e formas de intervenção educativa. Sendo assim, a escola é fundamental para os alunos no desenvolvimento da qualidade de pensar, de habilidades e estratégias de pensamento autônomo, crítico e criativo. É preciso que os sistemas de ensino prestem mais atenção à qualidade cognitiva das aprendizagens, colocando essa exigência como foco central da gestão escolar e do projeto pedagógico.
Segundo Libâneo a idéia de conceber o curso de Pedagogia como formação de professores, a Pedagogia se ocupa, de fato, com a formação escolar de crianças, com processos educativos, métodos, maneiras de ensinar, mas, antes disso, ela tem um significado bem mais amplo, bem mais globalizante. Ela é um campo de conhecimentos sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa.
Um dos fenômenos mais significativos dos processos sociais contemporâneos é a ampliação do conceito de educação e a diversificação das atividades educativas, levando, a uma diversificação da ação pedagógica na sociedade. Em várias práticas sociais mediante as modalidades de educação informais, não-formais e formais, amplia-se a produção e saberes e modos de ação (conhecimentos, conceitos, habilidades e hábitos), de acordo com as práticas pedagógicas, o aluno enquanto sujeito do processo de socialização e aprendizagem, os agentes de formação (inclusive a escola e o professor), as situações concretas em que se dão os processos formativos (inclusive o ensino), o saber como objeto de transmissão/assimilação, o contexto socioinstitucional das instituições (inclusive as escolas e salas de aula), o objetivo do pedagógico se configura na relação entre os elementos da prática educativa: o sujeito que se educa, o educador, o saber e os contextos em que ocorrem.
Dentro do projeto pedagógico, as atividades para o ensino tais como: redatores de jornais e revistas, comunicadores sociais e apresentadores de programas de rádio e TV, criadores de programas de TV, de vídeos educativos, de jogos e brinquedos, elaboradores de guias urbanos e turísticos, mapas, folhetos informativos, agentes de difusão cultural e científica etc. pois como afirma Libâneo, “precisa reafirmar seu compromisso com a razão, com a busca da emancipação, da autonomia, da liberdade (...) uma pedagogia para emancipação precisa continuar apostando na possibilidade do desenvolvimento de uma razão crítica precisamente como condição para desvelar as restrições à autonomia no contexto do mundo moderno. È preciso que os sistemas de ensino e as escolas prestem mais atenção à qualidade cognitiva das aprendizagens, colocando essa exigência como foco central da gestão escolar e do projeto pedagógico. Não adianta defender a gestão democrática das escolas, eleições para diretor, aquisição de novas tecnologias etc. A democratização da sociedade e a inserção dos alunos no mundo da produção supõem um ensino fundamental como necessidade imperativa de proporcionar às crianças e jovens os meios cognitivos e operacionais que atendam tanto às necessidades pessoais como às econômicas e sociais.
A partir de indicações de BEILLEROT (1985), podemos definir para o pedagogo duas esferas de ação educativa: escolar e extra-escolar. Verificamos, assim, uma ação pedagógica múltipla na sociedade, em que o pedagógico perpassa toda a sociedade, extrapolando o âmbito escolar formal, abrangendo esferas mais amplas da educação informal e não-formal, criando formas de educação paralela, desfazendo praticamente todos os nós que separavam escola e sociedade. Portanto, a necessidade de formação geral se repõe, implicando reavaliação dos processos de aprendizagem, familiarização com os meios de comunicação e com a tecnologia, desenvolvimento de competências comunicativas, da capacidades criativa, para análise de situações novas , capacidade de pensar e agir com horizontes mais amplos. Estamos frente a exigências da formação de um novo educador
3. A Aprendizagem:
Para Libâneo a principal tarefa do professor é garantir a unidade didática entre ensino e aprendizagem.
O professor além de educador é transmissor de conhecimento, atuando como mediador, auxiliando o estudante na busca do conhecimento, para que esse aluno aprenda a “pensar” e a questionar por si mesmo, e não mais receba passivamente as informações como se fosse um deposito do educador. Para construir a aprendizagem o professor precisa assumir o ensino com mediação; adotar práticas interdisciplinares; conhecer estratégias de ensinar a pensar e ensinar a aprender; mediar os alunos a buscarem uma perspectiva critica dos conteúdos.
Santomé (1998) esclarece que no trabalho interdisciplinar, os alunos trabalham com a possibilidade de transferir conhecimentos, aprendizagens, desenvolvem a capacidade de analisar e resolver novos problemas enfrentados no contexto da sala de aula.
A relação ensino aprendizagem não é mecânica, é uma relação recíproca na qual se destacam o papel dirigente do professor e a atividade do aluno. Cavalcanti Neto (2009, p.276) ressalva que “não basta o professor dar aulas é preciso estar atento á situação individual de cada aluno. É preciso tirar a limpo, todos os dias, se seus alunos estão aprendendo”. A função do professor é cuidar da aprendizagem do aluno, com dedicação e persistência, quando um professor é pesquisador, consegue que seu aluno tenha uma aprendizagem significativa de maneira autônoma e criativa.
4 - Biografia:

José Carlos Libâneo é doutor em Filosofia e História de Educação pela PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Nasceu em Angatuba, cidade do interior do estado de São Paulo, Estado de São Paulo no ano de 1945. Graduou-se em Filosofia também na PUC-SP. Na capital paulista, foi diretor de uma escola pública experimental, colaborou em projetos da Secretaria Estadual da Educação e lecionou em instituições do ensino superior. Em Goiânia, desde 1973, fundou e dirigiu o Centro de Treinamento e Formação de Professores, da Secretaria da Educação. Foi professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, onde se aposentou como Titular. Nessa Faculdade, coordenou por quatro anos o curso de mestrado em Educação. Atualmente é docente na Universidade Católica de Goiás. Publicou quatro livros: Didática S. Paulo, Cortez Editora, 1991; Adeus Professor, Adeus Professora? - Novas exigências educacionais e profissão docente. S. Paulo, Cortez Editora, 1989; Democratização da escola pública– a pedagogia crítico-social dos conteúdos. S. Paulo, Cortex Editora, 1985;Pedagogia e Pedagogos, Para Quê? S. Paulo, Cortez Editora, 1988, e escreveu sete capítulos de livros em co-autoria. Pesquisa e publica artigos em revistas especializadas sobre tema de Teoria da Educação, Didática e Organização Escolar.

5. Referências Bibliográficas:
LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos, Para quê? S. Paulo, Cortez Editora, 1988, 12ªEdição.
BRASIL. Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia. Brasília: MEC, 2005.
Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. Coleção Leitura. 9 (Paulo Freire)
Equipe:
Equipe: Adriana Lobo da Cruz
Edileide Pereira Ramos
Ivana Souza Costa
Jaqueline Nunes
Leila Barreto

Conceito de escola, ensino e aprendizagem, pela ótica de Demerval Saviani.


Conceito de escola, ensino e aprendizagem, pela ótica de Demerval Saviani.
Texto Dissertativo da equipe 04

No seu livro Pedagogia Histórico- Crítica, Demerval Saviani defende que uma das funções da escola é de dar possibilidades ao educando de ter acesso aos conhecimentos previamente produzidos e sistematizados. O complexo é que os conhecimentos tem um caráter mecânico de transmitir. Saviani acredita que o conhecimento deve ser transmitido de forma dinâmica para que o educando assimile com ênfase. Os professores precisam dispor de critérios para discernir entre aqueles conhecimentos que precisam ser transmitidos e os que não precisam.
Segundo Saviani, isso abre espaço para sobrecarregar os currículos com conteúdos irrelevantes ou cuja relevância não é alcançada pelos professores, o que impede de motivar os alunos a se empenhar na sua aprendizagem.
Para ele, essa forma torna as disciplinas curriculares sem interesse para os educandos, os quais passam a considerar o ensino como algo que enfada uma obrigação.
Defende ainda que quando o professor consegue lidar com os conhecimentos relevantes e não relevantes é que se torna capaz de fazer um momento prazeroso da sua sala de aula e não apenas uma mera transmissão de conhecimento. Como afirma:
“A Pedagogia Histórico Crítica não é outra coisa senão aquela pedagogia empenhada decididamente em colocar a educação a serviço da referida transformação das relações de produção.”
O ensino aprendizagem procura desenvolver a inteligência, priorizando o sujeito, considerando inserido na situação social. O ensino faz parte de uma ação educativa onde o professor produz o saber e o aluno torna-se um consumidor deste saber.
Saviani (2008, página 57) alerta para o fato de que a transmissão desses conhecimentos pode ser direta, implicando na apresentação dos mesmos ou pela indicação dos meios para acessá-los, posto que “são produzidos socialmente e preservados historicamente”, a sua apropriação pelos alunos está na sua dependência de transmissão direta ou indireta por parte do professor.
Dentro da pedagogia histórico – crítica o ensino visa estimular a atividade e incentivar o professor, favorecendo assim, o diálogo dos alunos entre si e com o educador, levando em conta os interesses dos alunos, o seu modo de aprender e seu desenvolvimento psicológico, sem perder de vista o sistema dos seus conhecimentos e os efeitos do processo de transmitir e assimilar os conteúdos que estejam sendo estudados.
Segundo o autor (2007, página 17), a educação é concebida como produção do saber, pois o homem é capaz de elaborar ideias, possíveis atitudes e uma diversidade de conceitos.
Quando é feito um trabalho ou observação prévia do conhecimento da realidade da turma, da cultura, da sua vivência e saberes, o profissional, como essas informações e conhecimentos, fará um trabalho com conteúdos que leve o estudante a ter outros conhecimentos, outros saberes, em relação à aprendizagem que é necessária ao estudante.  O professor é responsável pela socialização e transmissão do conhecimento e saber de uma sociedade que está sempre em transformação no conhecimento, buscando a democracia na aprendizagem, de forma ativa e críticas entre os alunos.
SAVIANI, 2000:
“Uma educação deve ser realizada em liberdade para liberdade, sendo este o maior propósito de uma educação de fato democrático característica, fundamental em qualquer teoria crítica da educação.”
Para finalizar, vejamos o que Saviani sobre a Pedagogia Histórico Crítica, 2008:
“Emerge a pedagogia Histórico Critica como uma teoria que procurar compreender os limites da educação vigente e, ao mesmo tempo, superá-los por meio da formulação de princípios, métodos e procedimentos práticos ligados tanto à organização do sistema de ensino quanto a o desenvolvimento dos processos pedagógicos que põem em movimento a relação professor aluno no interior da escolas.”
Portanto, é possível fazer a conclusão que a compreensão da natureza da educação, complexa como trabalho não material, é resultado das relações pedagógicas, que são historicamente determinadas e travadas entre homens e que, diferente das ciências que se preocupam com a simples identificação dos fenômenos naturais, os estudos pedagógicos tem a preocupação de avaliar a identificação dos elementos, tanto naturais quanto culturais, necessários à constituição da humanidade de cada ser e de descobrir formas para atingir esse objetivo.

Referências Bibliográficas:
SAVIANI, D. - "Análise Crítica da Organização Escolar Brasileira Através das Leis 5540/ 68 e 5692/71, in GARCIA, WE. (organizador)Educação Brasileira Contemporânea: Organização e Funcionamento. São Paulo, McGraw Hill do Brasil, 1976.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica. 6. ed. Campinas: Autores Associados, 1997.


Autoras:
1.Cláudia Regina Cantuara
2.Eliete Costa Feijó de Souza
3. Iracélia de Jesus dos Santos
4.Lucicleide Lopes Santos
5. Maria Roseneide Macêdo de Oliveira
6. Maria São Pedro Santos Silva


CONHECENDO UM POUCO SOBRE ILMA PASSOS E SUA OBRA: A AVENTURA DE FORMAR PROFESSORES


Curiosidade sobre a Autora: Ilma Passos Alencastro Veiga


Possui Bacharelado e Licenciatura em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Goiás (1961), Licenciatura em Educação Física pela Escola Superior de Educação Física de Goiás (1967), mestrado em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria (1973), doutorado e pós-doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1988). É professora titular aposentada e pesquisadora associada sênior da Universidade de Brasília. É professora do Centro Universitário de Brasília. Tem experiência na área de Educação, atuando principalmente nos seguintes campos: formação de professor, didática, educação superior, docência universitária e projeto político-pedagógico.


FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO BRASIL: PERSPECTIVAS E DESAFIOS

Segundo Ilma Passos Veiga a escola não pode se limitar apenas a função de ensinar, como também a função de ocupar os tempos livres dos educandos com ações pedagógicas, se aproximando desta forma cada vez mais da realidade. Observar-se que a cada ano, mais atribuições são direcionadas as escolas por conta das mudanças no âmbito profissional, mas é preciso que se tenha cuidado para que a escola não deixe de ser um lugar de práxis pedagógica escolar e passe a ser um lugar de práxis pedagógica social.
Tal situação deixa claro que é necessário o investimento em uma boa formação profissional para os professores tornando-os cada vez mais criativos e ousados, rompendo assim com os modelos tradicionais existentes, cheia de ranços e repetições. Ilma analisa a formação de professores sob duas perspectivas uma para ser tecnólogo de ensino e outra para ser agente social.
Na perspectiva de formação para tecnólogo do ensino, é dada ênfase a chamada educação por resultados. Esta formação reduz o processo educacional a uma visão puramente economista, adaptando a formação de professores as demandas do mercado globalizado, deixando claro que o ensino é focado exclusivamente no aprendizado do aluno no que diz respeito ao saber fazer, ou seja, a prática é o que importa, chegando a ser comparada a uma atividade artesanal.
Já a formação de professores como agente social na educação é voltada para o desenvolvimento de uma educação de qualidade para todos. O ensino tem como pilar uma formação teórica de qualidade, prezando a unidade entre teoria e prática, desenvolvendo trabalhos com ação coletiva, onde o conhecimento e a aprendizagem são construídos na base da pesquisa, fazendo com que assim os profissionais adquiram uma consciência crítica.
Para existir este profissional como agente social, sendo capaz de tornar a aprendizagem realmente significativa, é necessário que se mude a forma de tratar estes profissionais, valorizando-os, dignificando o trabalho pedagógico e a carreira docente, com melhores salários, melhores condições de trabalho e mais segurança.
É preciso incutir na cabeça das pessoas que mudanças urgentes devem ser feitas na formação de professores, para que os mesmos sejam capazes de oferecer um ensino de qualidade e que seja capaz de suprir as necessidades dos educandos das camadas carentes da população.


DOCÊNCIA: FORMAÇÃO, IDENTIDADE PROFISSIONAL E INOVAÇÕES DIDÁTICAS

A autora defende o ensino aprendizagem como algo que gira em torno da docência como profissão e isso não se enquadra profissionalmente. Para a autora a profissão é uma palavra que deve ser construída socialmente, como uma realidade dinâmica, que deve vir acompanhada de ações coletivas. Uma característica marcante da docência está ligada à inovação, quando rompe a forma conservadora de ensinar, aprender, pesquisar e avaliar: ao reconfigurar saberes, procurando superar as dicotomias entre conhecimento científico e senso comum, ciência e cultura, educação e trabalho, teoria e prática etc.
De acordo com a autora, devem-se formar professores para o ensino, mas para atuar em uma escola é de fundamental importância que este docente compreenda a importância do papel de ensinar. Com essa compreensão pode proporcionar uma profundidade científico-pedagógico que os capacite a enfrentar questões fundamentais da escola como instituição social, com uma pratica social que pressupõe as ideias de formação, reflexão e crítica. Para a autora os elementos que constituem uma concepção de inovação fundamentam-se, baseado em que toda inovação se articula em torno de novidades. As mudanças através da reforma deve ter racionalidade científica, aplicação técnica do conhecimento, sendo trabalhado em um processo em conjunto de fora para dentro.
Conforme a autora, a didática como inovação edificante procura reconfigurar o conhecimento com base na prática; por outro lado, e dialeticamente, pertinente à discussão crítica dos conhecimentos teóricos assimilados. O efeito desse processo formativo para a autora visa à politização do professor, incorporando a análise da intencionalidade do processo educativo e das condições de trabalho, tendo como base a concepção de inovação. Esses conceitos devem vir relacionados à sua formação que deve emergir como um produto que reflita a realidade interna de um contexto social mais amplo.
Segundo a autora é preciso acrescentar, em todo esse contexto um aspecto importante, que são os planos de ensino, que deixam transparecer uma concepção da didática pela ótica da inovação técnica, o que contribui para fortalecer uma compreensão de formação docente descontextualizada, visando o desenvolvimento de habilidades técnicas de ensino.
Para a autora as mudanças da didática para ser eficiente, estar relacionada a uma inovação que se desenvolve na prática cotidiana, em suma, a inovação edificante pressupõe uma ruptura, que acima de tudo, predisponha as pessoas, e as instituições, para a indagação e para a emancipação. Logo, com esses objetivos a se alcançar, a inovação não vai ser um mero enunciado de princípios ou de boas intenções. 


DOCÊNCIA E EDUCAÇÃO SUPERIOR

Conforme a autora para se formar professores universitários é importante que este compreenda a importância da docência, conhecendo as três principais funções a serem desempenhadas, que são: ensino, pesquisa e a administração dos diversos setores da instituição de ensino. Sem esquecer as orientações acadêmicas, como também da participação na elaboração do projeto pedagógico, e no cumprimento do plano de trabalho.  Durante todo esse processo, deve-se buscar o esmero permanente pela aprendizagem do aluno. Para o exercício da docência exigi-se uma formação profissional adequada, com a junção de fatores como ensino, pesquisa e extensão. Esses fatores devem estar sempre conectados para o bom funcionamento do processo ensino aprendizagem da instituição.
A formação de um docente para a educação superior é construída basicamente de iniciativas individuais e dentro do regime da instituição, ao surgir oferta do curso, onde estas se organizam e desenvolvem um programa de preparação dos seus docentes, seguindo as orientações do programa da Política Nacional de Graduação (PNG). Ao seguir os parâmetros de qualidade institucional, as metas para a formação de docentes universitários indicadas no PNG é voltada para a melhoria da graduação, em que este plano lista metas e parâmetros para a formação de professores universitários. Essas metas estão direcionadas para a formação como docente em um processo continuo e constante.
O papel da instituição superior para a autora esta no desempenho em um contexto novo de educação em que se vive. A PNG enfatiza que o exercício do magistério da educação superior deve ser desempenhado por mestres e doutores (Forgrad), esse documento salienta que a titulação deve ser considerada como condição necessária e jamais suficiente para um bom desempenho de uma docência de qualidade. A formação de professores deve ser uma ação continua e não deve ocorrer de forma fragmentada, sendo uma formação de processo coletivo, onde a construção docente é conjunta entre formação pessoal e profissional. Nesse sentido a autora afirma que a aprendizagem da docência na educação superior, acontece através da formação paralela e da pratica docente, como também das experiências compartilhadas em parcerias interdisciplinares ou interinstitucionais, e na organização de palestras, dentre outros.
Para VEIGA (2010, p. 49) graças ao grande empenho dos educadores é possível, construir uma educação superior com base no equilíbrio entre vocação técnica - cientifica e humanística, onde muitas decisões já foram tomadas para esse fim por diversas instituições, mas para a mesma ainda há muito a ser construído para uma formação adequada de docentes para a educação superior.


AS DIMENSÕES DO PROCESSO DIDÁTICO NA AÇÃO DOCENTE

Para a autora existem fragilidades nessas dimensões desde quando no processo didático as dimensões de ensinar e aprender tornou-se independentes, desde então existe a divisão de funções entre professor e aluno, onde ao professor cabe a função de ensinar e ao aluno tão somente a aprendizagem. Essas dimensões segundo a própria são muito importantes e devem ser analisadas em conjunto com o processo didático e as quatro dimensões que são: ensinar, aprender, pesquisar e avaliar. Sendo essas dimensões interdependentes, elas devem ser agregadas a pratica docente, com estratégias pedagógicas de aprendizagem com o educando, mediados pelo conhecimento.
Segundo a autora, diversas praticas pedagógica não obtiveram o sucesso esperado, devido a não trabalharem as quatro dimensões de forma devida, priorizando apenas uma e deixando as outras de lado, é necessário que ocorra um trabalho conjunto entre todas as dimensões. Continuando com suas ideias, para ela ao ensinar com compromisso o docente deve estar comprometido e ter como objetivo principal o ensino, mas ensinar denota muito mais do que transmitir conhecimento, significa desenvolver as potencialidades de uma pessoa. O docente é o maior responsável pelo ensino do educando e deve orientar, coordenar e estabelecer uma afinidade pedagógica com o aprendente.
Para a autora um docente desempenha tarefas importantes ao ensinar com compromisso que é ensinar a ensinar, construindo com isso uma atuação inovadora e atraente que servirá de ponte entre docente e educando. Ainda dentro desse contexto tem-se também o Ensinar a aprender que tem como finalidade do ensino, provocar a aprendizagem. Pois, Sem aprendizagem o ensino inexiste. Assim, são interdependentes o ensinar e aprender, em diversos âmbitos. Conforme a autora, tão importante quanto os dois primeiro tem-se o ensinar a pesquisar e o ensinar a avaliar, no qual o ensinar a pesquisar tem como objetivo estimular a criatividade, o espírito investigativo e a curiosidade. Enquanto que o ensinar a avaliar exige a participação efetiva e critica tanto do docente, como do educando, no processo avaliativo.
Nesse contexto, bastante diverso, deve-se ter como proposta o aprender a ensinar, aprender a aprender, aprender a pesquisar e aprender a avaliar. Logo, para a autora o docente deve sempre pesquisar o que pretende ensinar e pesquisar o que se avalia, na busca de uma avaliação formativa adequada, o docente deve avaliar também o que ensina, o que se aprende, o que se pesquisa e para finalizar deve avaliar o que se avalia.
Assim ao analisar os componentes do processo didático, na abordagem adota pela autora, percebe-se a importância dos docentes inseridos nesse contexto, que possam rever as estratégias individuais de aprendizagem e de investigação, bem como as circunstâncias precárias do sistema, a fim dos procedimentos terem sucesso e de que os docentes e educandos possam tirar o máximo proveito nesse contexto.


METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR E DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DOCENTE


Estamos em um mundo globalizado que muda a todo instante, como os costumes e a própria sociedade, com isso torna-se necessário reorganizar a prática docente, no que diz respeito à formação e a própria práxis.  O autor cita como complexo a organização acadêmica, na qual os cursos superiores estão disponibilizados, além disso, tem a própria cultura dos docentes em deixar em segundo plano a sua formação, seja pela falta de apoio das instituições ou por outros motivos. A avaliação da educação superior também é um ponto frágil que precisa ser revisto, uma vez que vai implicar na própria pedagogia universitária. Todos esses aspectos ainda são somados à ação da tecnologia sob a práxis educativa, pois com tantos avanços o pedagogo não é mais o “único” detentor do conhecimento, ele agora necessita se adequar às novas tecnologias para estar presente no mercado de trabalho. Do ponto de vista legal, a formação do pedagogo nos cursos superiores inicia sua regulamentação através da resolução n. 14, de 23 de novembro de 1977 onde especifica seus conteúdos, porém, ainda deixou muito vaga a valorização da formação didático-pedagógica. Percebe-se ao longo dos anos que este campo de formação docente não é muito valorizado, mesmo que seja discutido e entendido que a pesquisa é fundamental, a própria LDB n. 9.9394/96 em seu artigo 66, mostra a preocupação com a formação docente, já que informa que o exercício do magistério superior será através de cursos de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado ou doutorado, porém, não é algo que deixe de forma sólida e consciente esta formação.
Percebe-se que a própria legislação deixa “brechas” para questionamentos quanto à formação superior docente e sua práxis, contudo, percebe-se pelos textos da autora que é geral a preocupação da formação docente, uma vez que estes devem ser “preparados” para o exercício da docência que deverá ser adaptado às frequentes mudanças sofridas pelo indivíduo. O desafio é “construir” uma formação que possibilite formar profissionais capazes de ensinar, aprender, pesquisar e avaliar carreiras nos espaços de ensinos superiores.
Quando se pondera na Metodologia do ensino superior: disciplina pedagógica aplicada entende-se por meio da autora que o ato de ensinar é uma prática problematizada uma vez que gera conflitos, tensões e contradições que serão proveitosas se houver aproveitamento dessas relações para se avaliar a prática docente, avaliando os cenários “criados” na convivência entre docentes e educando.  Segundo a autora o ensino tem como produto o aprendizado do aluno, esta prática de ensino e aprendizado deverá ter sempre como base a pesquisada para que tenha muito mais significado no processo formativo de ambos, não se ensina e aprende sozinho, o aprendizado ocorre na interação dos sujeitos.
A autora é muito feliz ao citar as pesquisas feitas por VEIGA (2007), onde a mesma mostra resultados da pesquisa “Formação pedagógica de docentes universitários” que não podem deixar de serem citas. Alguns pontos ficam intensamente presos na mente, precisa-se: apoiar-se no eixo da construção do conhecimento, fundamentar-se no diálogo de diversos conhecimentos; na constante relação entre ensino e aprendizagem, ensino e avaliação..., integrando as metodologias de ensino e de pesquisa, dentre outros. A pesquisa sinalizou pontos que necessitam ser reavaliados como a falta de clareza na metodologia ou didática do ensino superior.
Quando se fala em Desenvolvimento profissional docente, a autora não deixa de citar que possuem elementos básicos que formam a base de desenvolvimento do profissional docente, que são eles: desenvolvimento adulto; acumulação da experiência e a própria formação. Logo, percebe-se que a identidade docente é algo que não é desconsiderada e que vai sendo construída ao longo das vivências que são compartilhadas no dia a dia de cada indivíduo.  
A mudança da prática docente e na melhoria da formação desses profissionais não vai acontecer sozinha, está sendo impulsionada pela sociedade que a cada vez exige mais, porém, será necessário o apoio das instituições nesse processo, que já está sendo desencadeada pela sociedade, pelas instituições e pelo poder público. Todos necessitam apoiar mudanças que sejam positivas e que possam possibilitar um ensino superior docente de qualidade,  acompanhando as mudanças sociais. Será um processo desafiador, contudo, necessário a ser investigado, analisado e com essas medidas adotadas, possa gerar uma educação mais igual a todos que dela participe.

  
Referência
VEIGA, Ilma Passos Alencastro. A Aventura de Formar Professores. 2º edição. São Paulo: Ed. PAPIRUS, 2010. 



Obras da Autora

AULA - GENESE, DIMENSÕES, PRINCÍPIOS E PRÁTICAS;
AVENTURA DE FORMAR PROFESSORES, A;
CAMINHOS DA PROFISSIONALIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO;
CURRÍCULO E AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR;
DESMISTIFICANDO A PROFISSIONALIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO;
DIDÁTICA - O ENSINO E SUAS RELAÇÕES;
DIMENSÕES DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO, AS;
DOCÊNCIA - UMA CONSTRUÇÃO ÉTICO-PROFISSIONAL;
DOCENTES UNIVERSITÁRIOS APOSENTADOS ATIVOS OU...;
EDUCAÇÃO BÁSICA E EDUCAÇÃO SUPERIOR;
ESCOLA FUNDAMENTAL, CURRÍCULO E ENSINO;
ESCOLA, ESPAÇO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO;
FORMAÇÃO DE PROFESSORES;
LICENCIATURA EM PEDAGOGIA;
LIÇÕES DE DIDÁTICA;
PEDAGOGIA UNIVERSITÁRIA;
PRÁTICA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR DE DIDÁTICA, A;
PROFISSÃO DOCENTE;
PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA;
QUEM SABE FAZ A HORA DE CONSTRUIR;
REPENSANDO A DIDÁTICA;
TÉCNICAS DE ENSINO - NOVOS TEMPOS;
TÉCNICAS DE ENSINO: POR QUE NÃO. 


FORMAÇÃO DE PROFESSORES: BERNADETE GATTI





COMPONENTES DA EQUIPE: 
       1.       Flavia Miranda
       2.       José Santos
       3.       Jucicleide Salomão
       4.       Laurinete Cardoso
       5.       Núbia Conceição

Que saudade da minha professorinha-Texto de Autoria de Paulo Freire






Que saudade da minha professorinha

A primeira presença em meu aprendizado escolar que me causou impacto, e causa até hoje, foi uma jovem professorinha. É claro que eu uso esse termo, professorinha, com muito afeto. Chamava-se Eunice Vasconcelos, e foi com ela que eu aprendi a fazer o que ela chamava de "sentenças".
Eu já sabia ler e escrever quando cheguei à escolinha particular de Eunice, aos 6 anos. Era, portanto, a década de 20. Eu havia sido alfabetizado em casa, por minha mãe e meu pai, durante uma infância marcada por dificuldades financeiras, mas também por muita harmonia familiar. Minha alfabetização não me foi nada enfadonha, porque partiu de palavras e frases ligadas a minha experiência, escritas com gravetos no chão de terra do quintal.
Não houve ruptura alguma entre o novo mundo que era a escolinha de Eunice e o mundo das minhas primeiras experiências – o de minha velha casa do Recife, onde nasci com suas salas, seu terraço, seu quintal cheio de árvores frondosas. A minha alegria de viver, que me marca até hoje, se transferia de casa para a escola, ainda que cada uma tivesse suas características especiais. Isso porque a escola de Eunice não, me amedrontava, não tolhia minha curiosidade.
Quando Eunice me ensinou era uma meninota, uma jovenzinha de seus 16, 17 anos. Sem que eu ainda percebesse, ela me fez o primeiro chamamento com relação a uma indiscutível amorosidade que eu tenho hoje, e desde há muito tempo, pelos problemas da linguagem e particularmente os da linguagem brasileira, a chamada língua portuguesa no Brasil. Ela com certeza não me disse, mas é como se tivesse dito a mim, ainda criança pequena: "Paulo, repara bem como é bonita a maneira que a gente tem de falar!..." É como se ela me tivesse chamado.
Eu me entregava com prazer à tarefa de "formar sentenças". Era assim que ela costumava dizer. Eunice me pedia que colocasse numa folha de papel tantas palavras quantas eu conhecesse. Eu ia dando forma às sentenças com essas palavras que eu escolhia e escrevia. Então, Eunice debatia comigo o sentido, a significação de cada uma.Fui criando naturalmente uma intimidade e um gosto com as ocorrências da língua - os verbos, seus modos, seus tempos... A professorinha só intervinha quando eu me via em dificuldade, mas nunca teve a preocupação de me fazer decorar regras gramaticais.
Mais tarde ficamos amigos. Mantive um contato próximo com ela, sua família, sua irmã Débora, até o golpe de 1964. Eu fui para o exílio e, de lá, me correspondia com Eunice. Tenho impressão de que durante dois anos ou três mandei cartas para ela. Eunice ficava muito contente.
Não se casou. Talvez isso tenha alguma relação com a abnegação, a amorosidade que a gente tem pela docência. E talvez ela tenha agido um pouco como eu: ao fazer a docência o meio da minha vida, eu termino transformando a docência no fim da minha vida.
Eunice foi professora do Estado, se aposentou, levou uma vida bem normal. Depois morreu, em 1977, eu ainda no exílio. Hoje, a presença dela são saudades, são lembranças vivas. Me faz até lembrar daquela música antiga, do Ataulfo Alves: "Ai, que saudade da professorinha, que me ensinou o bê-a-bá".
 
Paulo Freire